domingo, 9 de janeiro de 2011

As Rosas e as Abelhas

Um certo dia bem bonito, uma rosa encontrou uma abelha encantadora. Ela ia todos os dias com a rosa, não podiam conversar, mas ficavam se apreciando... A abelha sempre lhe dava um beijo. A rosa ficava muito feliz, pois as pessoas nunca a tocavam, por causa de seus espinhos. Porém, sempre que ela recebia um beijo da abelha, ela sentia-se um pouco mais vazia. Como se ela tivesse sido usurpada. Mas ao mesmo tempo, apenas o fato de ela ser agraciada, sentia-se muito feliz. E a abelhinha ia e vinha... Sempre levando consigo uma pedaço da rosa. Passado alguns meses, outra rosa foi plantada, ao lado da protagonista da nossa história. Era muito atraente, com grandes pétalas vermelho-carmin. Tinha um odor agradabilíssimo... Porém, era também muito triste. A rosa perguntou à bela:

- Por que sofres tanto?

- Porque todos apenas me usam. Os humanos querem me presentear, sorte eu ter esses espinhos grossos. Os animais querem arrancar minhas pétalas. As abelhas ficam roubando meu pólen... Não sei o que fazer.

- Mas os homens querem nos presentear porque somos belas. Somos símbolo do amor. Isso não é bom?

- Na verdade, não tenho muita certeza disso. O amor já é amor por si só. Se é um sentimento tão belo, como dizem, por que precisam provar toda hora? A simples verdade do amor não basta?

- Suponho que baste… Mas o sentir é algo bastante subjetivo. Vivemos e sentimos. Sentimentos podem mudar constantemente, mas o âmago é sempre o mesmo. O presentear e o falar são banais, sim, mas vai dizer que você não fica feliz quando escuta um ''eu te amo''? Afinal, quando é amor de verdade, você sabe e então as palavras já não são mais tão inconsistentes.

- Pode ser que isso seja verdade. Mas e as abelhas? Não vê como elas são egoístas?

- Por que pensa assim? Eu sempre as achei adoráveis. Elas, apesar de meus espinhos, sempre me dão um beijo.

- Oh, como é ingênua! Elas não te beijam. Elas roubam seu pólen… Por isso nos sentimos ligeiramente vazias quando elas nos ''beijam'', como diz.

- Eu não sou ingênua bela rosa. Sei que elas pegam meu pólen e sinto-me um pouco vazia sim, mas o bondoso sentimento que sinto por elas faz com que o vazio seja preenchido com grandes quantidades de felicidade e paz. Isto que eu sinto é tão bonito quanto inexplicável. Nada nesse mundo é completamente bom ou completamente ruim…

- Não sei se te entendo… Você diz que se sente vazia, mas ainda sim fica feliz… Como pode?

- Como disse, tudo tem seu lado bom e ruim. Um sentimento bondoso, por mais agradável que seja, causará um certo desconforto, mesmo que mínimo. Há algo muito grandioso que os humanos costumam chamar de amor, mas nem todos sabem o que ele realmente significa. O amor é uma grande conquista, sabe, e como todas as grandes conquistas, sempre há uma parcela de perda. Por vezes, há dor, angústia e sofrimento… Mas todas essas perdas são preenchidas com doses da felicidade infinita, ainda que dure até o dia seguinte e as feridas causadas pelas dores e intempéries do caminho são cicatrizadas pelas certezas que o amor nos mostra… O amor causa a certeza da vida. Consegue me compreender, bela flor?

- Talvez… Quem sabe o tempo me mostre isso. Mas entenda, suas palavras são para mim uma neblina, bastante densa e fria, mas apenas uma neblina… Preciso sentir, entende, preciso que isso o que você disse aconteça comigo para que, um dia, eu possa acreditar nisso… No amor.


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

21. Enciclopédia

"ARMADILHA INDÍGENA: Os índios do Canadá usam uma armadilha para ursos das mais rudimentares. Consiste em uma pedra grande molhada em mel e suspensa em um galho de árvore, com uma corda. Quando o urso vê aquilo que ele acha ser uma guloseima, aproxima-se e tenta pegar a pedra, dando patadas. Com isso ele cria um movimento de balanço e, a cada vez, a pedra lhe devolve uma pancada. O urso se irrita e bate cada vez mais forte. E quanto mais bate, mais é batido. Até o nocaute final.
O urso é incapaz de pensar: "E se eu parar esse ciclo de violência?". Mas ele apenas se sente frustrado. "Estão batendo em mim e eu devolvo as pancadas!" é tudo que ele pensa. Por isso a sua crescente raiva. No entanto, se ele parasse de bater, a pedra se imobilizaria e ele poderia eventualmente notar, uma vez restabelecida a calma, tratar-se apenas de um objeto inerte pendurado em uma corda. Bastaria, então, arrebentá-la com as garras, fazer a pedra descer e lamber o mel.

Edmond Wells,
Enciclopédia dos saberes absolutos e relativos, tomo II."


O Dia das Formigas, Bernard Werber.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

24/12 (2)

Há um ano eu comecei a pôr palavras nesse site... E comecei não muito bem. Eu disse: "Por que desejam Feliz Natal hoje? O Natal é amanhã! 25/12! Eu não gostaria de, no dia 11/05, um fulano chegar e dizer: Áurea, feliz aniversário, tudo de bom pra você! Que sem sentido... E quem se importa afinal?"
Oh, o Natal é todo dia. O natal é ter no nosso coração bondade, respeito, benevolência e companheirismo. Amor pelo próximo. Ajudar aquele que carece de bens materias e aqueles que carecem de um simples sorriso sincero...
Natal é dar, doar a nossa alma em um sincero gesto de solidariedade - e não pedir nada em troca. Ah, como eu me importo. Muita gente se importa com isso. Muita gente quer ver o próximo feliz... De que adianta tanto dinheiro, roupas e luxo, se sentes um vazio tão grande na tua alma? Somos todos filhos da Terra. Somos todos iguais. Porém, enquanto uns têm uma bela ceia, outros não possuem mais do que alguns grãos para se alimentar...
Feliz Natal hoje, amanhã, depois e sempre! Mantenha a esperança de transformar o mundo em um lugar melhor sempre no seu coração.

Eu realmente me importo. E você também, não é?

sábado, 4 de dezembro de 2010

Ela brilha, brilha...

I miss the stars.

Os dias mudam, o tempo muda, o ar fica mais denso... Mas suas mãos estão tão novas quanto antes. Nenhuma ruga, por enquanto. Mas por que parece que passaram-se 100 anos? Sua cabeça, ah, essa sim mudou... E como mudou. Acho que ela pensa mais. Isso é bom, mas não em excesso... Ela macula algumas das suas melhores lembranças com aquelas queridas amigas. E aí, o que outrora era diversão, transforma-se num profundo e insondável vazio. Você não se sente mais tão confortável quanto antes. Conversas supérfluas não mais te agradam... Um grande buraco é cavado em seu peito. E você sente que dia após dia ele aumenta. Mas o que pode fazer para tapa-lo? É de fato, assim, tão simples? Você procura por aquele apoio, aquela pessoa ou aquele livro para ajuda-lo a respirar tranquilamente... Mas você não acha. Você sufoca. Você espera os dias passaram, calmamente, esperando o derradeiro fim. Não o fim da vida, claro. Mas o fim desses dias escuros... Mas, é necessário, mesmo, esperar? Eu acho que sei algo que pode ajudar a preencher o vazio... Por algumas horas, pelo menos.
Eu lembro quando o céu era o meu mais fiel companheiro. Passava horas a admira-lo... Tão belo, tão misterioso... A resposta encontra-se acima de nossa cabeça e não dentro dela. Simples.

I really miss the stars.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

The other side of the Moon

O que antes via já não mais vejo.
Da pluma surgiram os espinhos,
Da realidade fez-se a ilusão
O que acode-me é a solitária exaustão.

A Lua que antes via era enternecedora;
A que vejo então é uma caminhante perdida.
Uma que desistiu de preocupar-se com a beleza,
E passou a tentar entender suas estrelas.


O outro lado da Lua talvez seja mais confortador do que aqui.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

We can do it!

Você sabe que pode chegar lá. Sabe que pode chegar cada dia mais longe, sabe que, para sonhos, não há limites. Os degraus do sucesso, da autorrealização, são infinitos... Mas você não quer apenas sonhar. Quer realizar. Quer sair desse lugar e ganhar o mundo. Conhecer pessoas diferentes, culturas diferentes. Quer falar quantos idiomas foram possíveis aprender em vida. Quer ser a melhor no que faz. Ou simplesmente fazer muito bem a sua função. Mas você quer ser mais do que uma personagem secundária nessa história... Você quer muito. E o muito acaba se tornando pouco comparado aos seus sonhos. Você não vai ficar parado. Vai lutar, suar, ser forte, jamais desistir. Vai conseguir. Porque você quer.

O mundo cabe no pequeno espaço da minha mente. Se isso é possível, tudo o é.

"Sonhos, acredite neles. É preciso sonhar, mas com a capacidade de crêr no nosso sonho... de comparar com a vida real, e realizar escrupulosamente a nossa fantasia." (Lenin)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Nowhere life

Sonhos, sonhos, são tantos... Lua, Rússia, comunismo, bibliotecas, conhecimento, sorrisos, nada de dor...
Ah, se um dia eu pudesse realizar todos. E de que são feitos os sonhos, afinal? E o que somos nós, seres humanos, se não pudermos pensar no "inviável"? Não é bom, libertar-se das amarras desse mundo cruel, onde a falsificação da verdade é tão normal? Onde temos de nos enquadrar nesse padrão sórdido, monótono e vazio? Onde a Vida perdeu seu verdadeiro sentindo? Onde sonhos não são bem vindos...
Quero viver! Quero alcançar o inalcançável! Quero falar com as estrelas, dançar ao som do luar e, em vez de críticas, ouvir aplausos! Palavras de motivação... Quero convidar-lhe para minha dança. Ser feliz para sempre, chorando quando tiver que chorar, mas acima de tudo, saber que fiz o que queria fazer, vivi, cheguei lá, passo por passo, obstáculo por obstáculo. Conquistei a felicidade. Quero ser capaz de conquistá-la cada dia da minha vida. Cada segundo.
Sonhos, sonhos, o que seria da minha pobre vida sem vocês?
Se vivo, se penso, então tudo posso. Na minha mente, não há jogos. Nela repousará, com muita satisfação todos os meus sonhos não realizados. Ao menos os construí no mundo em que apenas eu posso estar... Eu os construí. Isso não basta, mas, por ora, é o necessário.