quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Dias estranhos


Aquela vida que vivi

Aqueles dias que sempre pareciam iguais

Aqueles dias que pareciam ser eternos

Aquela sensação de familiaridade

Até aquele dia, o mais estranho dos dias

Até que todos os dias se tornaram diferentes

Dias estranhos

A eternidade que deixou de existir

A finitude que se mostra sempre presente

Sempre à espreita

O fim dos dias eternos

A eternidade dos dias finitos

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Primavera

 

Viveu, viveu intensamente, tudo o que a vida podia oferecer

Tomou o último gole, lambeu o prato 

Não passou vontade

Sentia muito, sentia tudo

Viveu 100 anos em 35

É, para sempre, alguém com 35 anos 

Anos virão, passarão, a terra implodirá, os astros vão se movimentar

Mas, para sempre, 35 anos

Relógio parado, estancado naquela hora e lugar, 

Para sempre 35 anos

Para sempre o cheiro, o sorriso, a palavra ecoada na varanda

O som do portão a se abrir

A palavra dita, fixa, sempre a mesma, no ar 

Sempre 35 anos

Sempre nos meus dias, no meu pensamento, 

Sempre na minha finita vida, que não tem a mesma intensidade, o mesmo fervor

Mas que te ama, para sempre, infinitamente

Para sempre 35 anos



- A primavera devolve ao homem uma parte das flores desaparecidas? 

(Nicanor Parra)

sábado, 25 de fevereiro de 2023

Curvas

É preciso usar as curvas

Do seu corpo

Dos seus cachos

Da sua voz

Da sua força

Nada é plano

             consistente

             igual

Sobe, desce

Melhora, piora

É preciso usar as curvas

Do riso

Sorrir

Não levar tudo tão a sério

Nada é definitivo

Nenhuma dor,

Nenhum amor.

sábado, 24 de dezembro de 2022

Urgência

Apesar de parecer que somos eternos - afinal, tudo o que temos conhecimento é a vida - o existir. Não sabemos como é a morte ou como é o estado imediato de antes de vir a esse mundo. 

Tudo o que temos e o que somos é o que conhecemos. 

Mas quando você se depara com a morte de alguém amado, é como se nesse exato instante, um relógio desse corda. Você começa a ouvir um tic-tac incessante. 

Durante o dia, o trabalho e a rotina acabam jogando uma neblina e por alguns minutos o relógio parece não mais existir. 

Cai a noite, depois de uma jornada de 10 horas de trabalho, sem ter feito o que você realmente ama, o relógio grita, um som ensurdecedor. Parece que ele girou pelo menos umas 1000 x em um curto espaço de tempo. 

Tic tac. 

O tempo passa, os não-dias se aproximam. 

Quando você sente o gosto amargo da morte, a realidade se torna mais palpável, mais densa. Não há como ser quem você era antes. É um caminho sem volta. 

Viver passa a se tornar uma urgência. Sinto uma urgência em viver, em conhecer, em viajar, em amar. 

Deitar à relva de uma noite estrelada, sentindo cada canto do meu corpo respirar e inspirar. 

Ser una com a terra. 

Urgência em viver. Temos tão pouco tempo. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Infinito

As tragédias acontecem sempre de repente, inesperadamente.

(Tudo se torna óbvio depois que a gente fala).

O fato de nossos dias serem parecidos não significa que nada acontece de repente.

A questão é que o banal não marca - os dias tem um sentido de continuidade, de semelhança, de lentidão, de eternidade.

Até a tragédia acontecer. Um rompante. De repente. 

Você até tem a sensação de não pertencer mais nesse tempo. Parece agora um universo paralelo.

Parece que você está vendo tudo de longe, sem entender nada.

O tempo, a continuidade, a eternidade - tudo perde o sentido.

É como desaprender a viver. 

Porque antes era um dia após o outro... sabe? A semelhança dos dias.

Então a tragédia te tira o chão dos pés.

Você até se questiona se um dia conseguirá ver sentido nas coisas...

Porém a roda segue girando, e quando você menos espera, a semelhança dos dias retorna.

A lentidão, a continuidade, a sensação de sermos eternos.

Claro que dessa vez com um gostinho diferente: a sabedoria da finitude.

Toda dia você sente isso na pele, então de fato você reaprende a viver e a sentir.

Sorrisos tem novos significados.

O céu azul, o vento, o sol, as melodias, os passarinhos.

Você os sente de uma maneira diferente.


Fecho meus olhos - sinto o som ao redor, o peso do meu corpo, respiro fundo...

Isso é tudo o que tenho. Esse único momento. Essa única respiração. Isso é ser infinito.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Vazio

Desde que você se foi

Eu me pergunto todos os dias

 - Qual o meu propósito neste mundo passageiro?

Desde que você se foi

O céu azul é novo pra mim - desbotado

O canto dos passarinhos também - desafinou

Desde que você se foi

A vida parece ser outra

Um punhado de gente,

Um tanto de solidão 

Desde que você se foi

Eu me pergunto:

- Por que você se foi?

Qual o sentido de toda essa bagunça? De todo esse caos? 

E se ao invés de trabalhar, estudar, produzir, se formar, pesquisar

Eu estivesse contigo mais tempo

No pouco tempo que te restava e eu nem sabia?

E se eu tivesse te abraçado mais

Como seria?

Como será, daqui pra frente

Agora que você se foi?

sábado, 11 de janeiro de 2014

Metrôs

Roberta está triste. 
Às 18 horas, voltando de um passeio solitário pelas ruas da Cidade Velha, segue seu caminho para casa num metrô. Ela olha a sua volta - a seu lado, na janela, um senhor grisalho, com uma boina marrom e um olhar perdido. Na sua frente, uma jovem loura, com calças rasgadas, maquiagem preta, boca vermelha e nenhum sorriso no rosto. Do outro lado, uma senhora de idade - beira os 70, brigando com seu netinho, que faz caretas e é o único sorrindo no trem - ne t'excite pas! E a criança se acalma por alguns minutos. 
Roberta olha para o lado. Para o outro. Para a frente. Já está no fim do dia e ela não conseguiu conversar com ninguém. Nenhuma pessoa da cidade lhe dirigiu a palavra - "o que há comigo, afinal?" 
Mas no metrô é tão pior. Aqueles seres, tão próximos uns dos outros! Mas nenhuma palavra. Ninguém quer desperdiçar conversas. Quando olhares se encontram, logo os olhos se desviam. Não há coragem suficiente para sustentar a indagação que paira nas pupilas negras. Mas afinal, o que se encontra debaixo da terra, senão gente morta? Roberta nunca gostou de metrôs. A proximidade tão distante em que essas pessoas todas se encontram faz pensar que o amor perdeu. A harmonia, a beleza, a diversão, a curiosidade - estão todas mortas. 
As portas se abrem. E então, ao longe, um violino! Roberta não apenas se consola, como também ama quando a música dos anônimos corta o ar de funeral do metrô - a vida está aqui, afinal. Aqui há gente viva.
E então ela se sente culpada:
- E se eu dissesse ao senhor grisalho ao meu lado: "Que sol bonito fez hoje, não?!"
Talvez ele se encontrasse. Talvez Roberta se encontrasse.

Falta coragem no mundo.
E amor.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Novas Cores

Tem tanto tempo que eu fujo das letras... Mas um dia elas resolvem sair, todas num rompante. E, por favor, não pensem que fugi delas por covardia, por medo. Ah, não! Na minha última postagem eu disse algo sobre novos dias. Novas fotografias. Novas histórias. E como a vida é incrível. A gente realmente não sabe que um mundo totalmente novo de cores, matizes e sentimentos nos aguarda na próxima esquina. No próximo segundo. Perto daquelas lágrimas. E sabe de uma coisa, também? Você, nesse mundo novo de sentimentos, percebe como aquele mundo passado não era verdadeiro, que apenas possuía algumas cores desbotadas, sem muita beleza. Acontece muito com a gente, quando não conseguimos sentir algo verdadeiro: a gente imagina. A gente se agarra a ilusões. A gente acha que sente. Mas só é possível descobrir isso quando você se deixa flutuar para o mundo novo. Você sente... Sente com toda a sua alma o que são sentimentos verdadeiros. As cores são tão belas e tantas que você fica em dúvida se já as conhecia. Mas não: são novas. É tudo novo. E é incrível poder conhecer esse mundo novo todos os dias... Você se sente no lugar certo, entende o que quero dizer? Não há mais dúvidas. Mas tudo o que é demasiado intenso, vem com grandes perigos. Como esta frase, que tirei do belíssimo romance de Tristão e Isolda: "Com que torturas o amor se vinga dos amantes" Mas tudo se torna maduro, tudo se torna grandioso. Tudo o que é grandioso traz grandes riscos. Mas quem se importa com os riscos, quando se vive algo tão bom? Que faria eu para evitar grandes sofrimentos? Adotaria a filosofia de Buddha e renegaria todos esses grandes sentimentos? Ah, jamais. Eu escolhi a vida. Escolhi viver, e não me esconderei dela em mim mesma... Aceitarei de bom grado e acolherei os sentimentos que me forem destinados com muito carinho. Talvez, quando o sofrimento chegar, eles me sirvam de consolo...

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Pedaços de uma Vida

Sabe aquela dorzinha? Aquela dorzinha, bem do lado esquerdo do seu peito. Sabe? Aquela que você sente toda vez que pensa em tudo o que poderia ter sido, mas nunca foi... Sabe? Quando parece que tem uma mão apertando seu coração e dói? Sabe essa dorzinha? Tão incômoda, tão incômoda. Sabe quando tudo desmorona, quando você percebe que aquilo que você sonhou, simplesmente não vai acontecer? Então, a partir dai vem aqueles devaneios. Intermináveis devaneios... Em que você reconstitui cada pedacinho do que houve na sua mente. Você junta todos os pedacinhos daquela bela foto na sua cabeça, e tenta monta-la. Ela era tão bela! Por que foi despedaçada, tão fácil e dolorosamente? Por que você permitiu isso? E você tenta monta-la na sua mente. Só que você percebe que ela não é como antes. Ela tá desfigurada. Os sorrisos estão tortos. Os olhares meio vazios. O céu tá meio cinza... E sempre falta um pedacinho da foto. Você não consegue monta-la por completo.

Será que serão essas as lembranças que eu levarei comigo? Será que, na verdade, sempre foi assim? Será que tudo foi torto, vazio e cinza? Será que é por isso que a fotografia foi despedaçada e ninguém percebeu? Porque simplesmente não deu certo... Simplesmente porque não havia a dose certa de sentimento. Muito de um lado, pouco de outro. E aí vai se despedaçando... Doi de um lado - daquele que eleva os sentimentos. Rasga o peito. Doi. Porque você sabe que tá perdendo algo que nunca realmente teve. E aí - puf. Fim.

Fim.

Fim? Fim de uma história. Mas o início de uma nova tá bem ai. Uma nova fotografia. Com novas cores. Num novo céu. Com novos sorrisos e olhares. Mas sempre, com mais precauções. Sem euforias. Sem esperanças. Só aproveitando. E o que vier e me fizer sorrir, bem, aceitarei de bom grado. Sorrirei de volta. Mas meu coração - esse será mais bem cuidado. Bem protegido. Porque, sabe, aquela dorzinha é tão incômoda. Tão incômoda.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A Paixão Pelo Inexistente

Às vezes eu fico me perguntando o por quê de algumas coisas serem tão complicadas. Sabe... É tanto para tão pouco. E é claro que eu me refiro a relações pessoais. Um dia você conhece uma pessoa. Um ano depois, com pouquíssimo esforço, mas com muitos sorrisos e companheirismo, você sente que conhece a pessoa por inteiro. Sabe ler suas feições, sente uma tristeza ocultada, compartilha felicidades. É bom. É simples.

Mas, outro dia... Aquele fatídico dia. Naquele fatídico lugar. No lugar menos esperado para você encontrar aquela pessoa. Há então a conversa - quanta coisa em comum! Filosofias e mais filosofias (há coisa melhor do que isso, numa conversa?!). E então o tempo vai passando... E você se esforça para essa pessoa permanecer na sua vida. Você faz o possível. Porque você sabe que tem importância (pelo menos é o que sua mente insiste em gritar). Mas é tão difícil. Cada conversa, uma nova descoberta - não que eu não ache isso maravilhoso, acho estupendo! Mas, um ano depois, mesmo tendo um incessante contato com essa pessoa, você percebe que não a conhece. Nada. Zero. Quanta insegurança!

Vale a pena insistir em algo tão cheio de incertezas? Vale a pena dar tanta importância a alguém, mesmo quando não há reciprocidade? Você acha que vale. Você insiste. Você não desiste. Você quer aquela pessoa na sua vida. Mas é escorregadio. É... É uma melodia, que mesmo você sabendo que tá na sua cabeça, mesmo sabendo que ela é linda, não consegue seguir os compassos. Não consegue aprecia-la por completo. Algo falta. Algo está errado. Sim - dentro de mim, algo está errado.

O que?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O que fica?

A vida é uma série de acontecimentos marcantes. Geralmente, os momentos que mais mudam nossa maneira de pensar vêm com a idade.
Quando somos crianças queremos ter tudo o que o mundo pode oferecer:
- Pai, compra esse brinquedo pra mim? Compra, pai! Pai, me leva no parquinho? Por favor, papai!
Uma época gostosa. Sem preocupações. (A não ser que picolé que minha mamãe vai trazer pra mim hoje. Espero que seja o de chocolate com pedacinhos de biscoito. hmmm).

Quando somos adolescentes, queremos muita liberdade. Além disso, nós queremos mudar o mundo! Protestar! Vencer! Derrubar os opressores! Derrubar o derrubadores de árvores! Encarcerar os destruidores de vida! Queremos mudar! Tanto sentimento aflorando...
- Eu vou ser médico. Quero ajudar aos necessitados. Quero curar os feridos. Quero ir à África e acabar com desnutrição. A cura da AIDS? Certamente descobrirei. Assim como a do câncer.
- Serei advogado, certamente. A justiça é meu lema e os oprimidos estarão sob minha proteção. Chega de tanto erro no mundo! Procurarei pela verdade enquanto respirar. E de mim ela não se esconderá.
- Serei artista. O mundo precisa ver cores para se animar. O mundo precisa de entretenimento! O mundo precisa usar a cabeça e pensar. O mundo precisa do meu talento artístico, sei que precisa! E hei de oferecê-lo incansavelmente.

Quando somos adultos... O mundo virou normal. Os dias são... Os dias são os mesmos. Iguais. Cansativos. Tediantes. Insuportavelmente monótonos e agitados. Os carros, a gritaria, a fumaça, a correria, meu deus, tire-me desta loucura! Os sonhos se esvaem pelo escapamento do carro.
- Mudar o mundo...? Ah, meu filho. Eu já quis. Mas não dá, sabe? Um dia você vai descobrir isso...
* Papai, não destrua meus sonhos! *
- Mudar o mundo, filho? hehe, vá em frente. Mas não se canse muito. Ah, desligue esse computador e abaixe o volume dessa música. Minha cabeça dói.
- Nem acredito que saí mais cedo desse inferno de trabalho. Não aguento aquelas pessoas. Barulhentas! Não me deixam em paz. Que confortável é minha casa. Filho, agora não. Vou deixar meu cérebro aqui na mesinha para ver televisão. Vá dormir.

Quando somos idosos... Bom, sobre essa bela fase da vida eu não tenho muita ideia do que dizer. Mas é o fim da vida, não é?! A morte vem vindo... Calma, rasteira, mansa... "E de repente, não mais que de repente", a pele esfria. Os olhos esbugalhados assim ficam. O coração, já tão cansada, vai parando... Parando. E para. O cérebro para. Tudo para. O mundo vai embora. Tudo acaba.

A nossa vida vira uma bela lembrança na mente de alguns queridos companheiros de jornada. Mas estes também se vão. E as lembranças também se vão. E o que fica?

O que fica?



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Angles

Você já parou para pensar que poderia ter tido as mais diversas reações a determinados acontecimentos, se visse a história de outro ângulo?
Imagine quantos momentos poderiam ter sido diferentes... Quantas brigas poderiam ter sido evitadas, quantas mentiras poderiam ter sido descobertas...

A gente vê o que nossa mente quer ver. A gente nunca vê a essência que as palavras, ou imagens (mesmo que sejam falsas) querem nos passar. Acho que nossa mente tem uma espécie de tesourinha, e assim ela modifica o que nossa audição ou visão capta a seu modo...
Se estamos com raiva, é provável que interpretemos o causo de maneira pessimista. Se estamos felizes, deixamos as partes negativas de lado.
E então, quando, quando seremos capazes de participar verdadeiramente de uma troca de conhecimentos, ou simplesmente, quando poderemos entender o que o emissor quer dizer?
E existe uma única verdade?

E aí há desentendimentos... E são tantos! Na grande maioria da vezes, tão desnecessários!

Certa vez eu li em um dos livros da trilogia O Império da Formigas: "Entre dois cérebros, há sempre todas as incompreensões e mentiras geradas por odores parasitas, correntes de ar, má qualidade da emissão e da recepção."

Será que é de fato tão difícil compreender e ser compreendido? E será que isso é ao menos possível?

E existe uma única verdade?

domingo, 10 de julho de 2011

...

Tem um turbilhão de palavras na minha mente. Um mundo de palavras gritando, querendo sair do cárcere da minha cabeça, e ai, como elas machucam. Mas são tantas, tantas, que não sei o que escrever. Não sei como expressar tudo isso.

É uma confusão. Uma grande baderna. Sanidade, amiga querida, não me abandone. Juro que tentarei consertar tudo isso. Tenha calma.

Não me deixe, por favor.

domingo, 5 de junho de 2011

O Carnaval é só um Dia

Um dia tudo estava bem. Tudinho. Eu não tinha preocupações. Era fácil. Eu brincava. Eu chorava. Sem motivo aparente - apenas lágrimas de quem é muito novo. De quem quer tudo.

Mas esse dia ficou no passado - ficou há 10 anos. (Ou durou até esta manhã?) Enfim, cresci. Ou melhor, passei a pensar. A ter sérias preocupações. Não me refiro às preocupações da idade jovem. (Antes fosse). Eu fico pensando... Por que diabos eu, justo eu, estou aqui, nesse mundo???????
Por que eu??????
E que lugar é esse? Por que parece que o mundo sempre existiu? Por que me fazem acreditar que a vida é um tédio? Que que há com essa maldita rotina que me sufoca???

A humanidade morreu.

Morreram seus sonhos. Tudo é normal. O mundo, a seus olhos, é banal. É trivial. Cada dia é uma seqüência do próximo. Vivem como se fossem imortais. E por mais que eu queira acreditar que não é assim, porque NÃO É ASSIM, eu acabo me entregando ao torpor. Ao lugar comum. E dói. Dói alguma coisa dentro de mim. Acho sou eu querendo me libertar, fugir dessa sociedade premeditada, cheia de ideias pré-concebidas, cheia de prepotência e arrogância. Cheia de sabichões e malandros. Cheia de pessoas malvadas, que não se importam com nada, a não ser com seu maldito dinheiro, ou seu status social, ou que merda seja. E aí eu acabo querendo fugir de mim. Porque eu sou um deles.

Que vontade que eu tenho de gritar!!! De fugir. Atitude covarde. Convivendo com tantos covardes, até as atitudes que seriam nobres ao meu bem-estar psíquico e social, acabam sendo covardes. E mais raiva eu sinto de mim.

Não adianta. Por favor, POR FAVOR, tire sua máscara, dispa seus argumentos de eu-sou-o-dono-do-mundo-e-sei-de-tudo. VÁ A MERDA. Você não sabe de nada. NADA.

Olha que lugar maravilhoso! Que céu lindo. Flores lindas. O nosso corpo. Cheio de segredos. Tão complexo quanto o próprio Universo. E você só se importa com o que vai vestir amanhã ou como pode deixar seu carro mais apreciável para essa sociedade nojenta. Olha seu cérebro. Ele tem a capacidade de raciocinar. VOCÊ PODE PENSAR!!!!! Sabe disso? Pois sim, VOCÊ PODE PENSAR! É, eu sei, é incrível.

Sonhos. Como eu amo meus sonhos. Ninguém pode roubar de mim. São meus. Apenas meus. Mas meus sonhos podem mudar a vida de muitas pessoas. E com isso, poucos e agraciados seres humanos, já salvaram muitas pessoas da mesquinharia e estupidez de outros seres humanos. Quero um dia que meus sonhos possam ajudar outras pessoas. Aí sim, depois de ter me descoberto, de ter tirado toda essa maquiagem que a sociedade me fez, e depois de ajudar pelo menos uma pessoa a ver o Céu como ele realmente é, e não como dizem que seja, eu vou poder morrer feliz.

Vou poder dizer: eu, deveria ser eu aqui nesse mundo e não outra pessoa. E aí vai ficar tudo bem de novo, quando meu coração parar. Minha vida vai ficar em algum lugar desse vasto mundo. Alguma coisa de boa eu terei feito. E isso que importa, no final.


Eu ainda quero muito. Mas não tudo.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Solilóquio Sem Fim

"Solilóquio sem fim e rio revolto..."

Ruminando as palavras... Quantas palavras. Não só palavras. Mas imagens. Momentos. O que aquele gesto significou? E o que poderia ter sido?
Sempre ruminando pensamentos tormentosos. Minha mente, às vezes, aparenta ser tão sádica...

"O que é consciência, lógica ou absurdo?" É tanto, é tanto... Tanto que não sei o que é o que. A gente ouve o que nossa mente quer ouvir. E aí? E aí que quando a verdade aparece, é como se uma faca atravessasse teu peito. Porque dói... Qual o problema de ouvir? Ouvir na magnitude da palavra: limpar o consciente de ideias pré-concebidas. Apenas ouvir. E depois pensar. Depois, só depois.

"A memória em vigília alcança o solto/ Perpassar dos episódios, uns futuros/ e outro passados, vagos, ondulando/ num implacável estribilho surdo." O mesmo filme sempre... As mesmas imagens, diferentes interpretações. Umas ruins, oh, tão ruins! E algumas tão boas...

"E tudo num refrão atormentado:/ memória, raciocínio, descalabro.../ Há também a janela da amplidão" [...] Onde está esta janela?

Oh, então, logo vi! Ali está a janela. E depois dela? Depois vejo um postigo. "Esse último portão, que eu abro/ Para a fuga completa da razão."


(Poema Solilóquio Sem Fim e Rio Revolto de Jorge de Lima.)

domingo, 1 de maio de 2011

Onde, onde?

"Olha
A gota
Que estava ali"

A efemeridade é realmente incrível. É assustador e, ao mesmo tempo, fascinante como tudo muda no decorrer de um segundo. A sua posição no planeta, no universo. A posição dos seus pensamentos.

Por isso que a gente não tem o dom da confiança. Deve ser inato do ser humano saber que a palavra dita é suscetível a rápidas mudanças. Deve estar entranhado no nosso inconsciente. E ainda, quando você consegue depositar certa confiança, no que for, uma certa mudança faz tudo se esvair.

Mas a gente precisa entender, que mudar é normal. Obviamente, não devemos confundir mudanças com mentiras ou desrespeito. Acredito que o respeito seja único. Este medeia todas as relações, para que não haja desentendimentos e conflitos entre as pessoas.

Infelizmente, a grande maioria das pessoas não sabe como relacionar essas duas vertentes que regem (ou deveriam reger) nossa vida - mudança e respeito.

Por isso há brigas. Mentiras. Guerras. Pobreza. E tudo o mais.

Tudo muda. Tudo sempre vai mudar. Cabe a nós saber como amenizar estas mudanças, se causar o mal-estar do próximo ou amplia-las se for causar o bem.

A gota já caiu. Mas a próxima está vindo.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Tudo Passa

Às vezes, encontrar a palavra certa é tão difícil. Às vezes, ruminar sentimentos oprimidos e momentos esquecidos é tão sofrido.

Às vezes, o Sol ta lá em cima. Bem acima da minha cabeça. E brilha tão forte. Tão forte que dói. Arde. Queima.
Às vezes, o Sol se esconde. Fica numa montanha tão alta e escondida e eu não consigo acha-lo (sinto falta do ardor). E ai faz frio. Doem os ossos. A ponta do nariz fica quase quebradiça (sinto falta do calor opressor).
E o Sol volta. Tão quente, tão quente... Queria que o Sol fosse embora (como ardem minhas costas!).

E vai e volta... E quando está, queria que se fosse. E quando se vai, queria que estivesse.

[...]

Então um dia o Sol voltou. Mas veio com ele uma nuvem. Nuvem bonita, nuvem amiga. Quando ardia muito, ela se colocava parcialmente na frente do Sol. E ai não ardia mais. Era bom.
E ai pensar naquilo tudo não mais machucava. Era como um calor encoberto por uma nuvem.
Era morno... A ideia de que nada dura pra sempre abrandava os pensamentos bons que machucavam. E as imagens tornavam-se brandas.

Um calor bom. Não ardia mais. Não doía mais.

A nuvem ficou lá.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Be Free

Como a vida é misteriosa.
[...]
Viemos ao mundo.
Estamos no mundo.
E depois... e depois?

Cada segundo passa incrivelmente rápido. Pã. Milhares de coisas aconteceram. Pã. Vidas floresceram. Pã. Morremos.

Ah, mas ainda, esse derradeiro final não a nós ocorreu. Do contrário, este texto a teus olhos estaria obscurecido pela terra e pelos vermes do cemitério. Ou de onde quer que estejamos.
Deixemos esta obscuridade de lado - brindemos à Vida.
Boa Vida, bela Vida... Pense só: tanto planetas, tantos lugares... Aqui estamos. Vivendo. E amanhã... Amanhã já não sei o que acontecerá. Sei apenas de possibilidades. De verdades que, com uma simples interferência de outras Vidas, podem mudar.
[...]
Tudo é tão diferente, mas parece tão igual e monótono a tantas infelizes pessoas. Claro, se estas consideram o passar da vida, o tic-taquear do relógio, tediantes, pois bem, precisam de uma reflexão profunda. Oh, como sou redundante nesta miserável página da incrível rede criada, pelo homem, que interliga tantas mentes, ao dizer que a vida é breve como o piscar dos olhos...

A redundância é necessária. Por que te prendes tanto? Para que tanta falsa moralidade, tantos conceitos enfiados na nossa mente? Que moral é esse que, também obra do homem, prende, maltrata, impede? É mesmo necessário tudo isto?
No dia que resolveres deixar de lado tantas amarras, será o dia em que viverás verdadeiramente.

Moral são conceitos feitos para que te esqueças de procurar a verdade. A tua moral, a moral inerente ao ser humano - chamemo-la de ética. Sim, esta sim pode te guiar. Pois veio de ti. Tu a descobristes.

Mas e quanto tempo aguardarás por este momento? No fim da vida? No teu leito de morte? Ah, a Morte. Implacável. Antítese impassível da adorada, porém rígida e misteriosa Vida.

A Morte chega, Vida se vai. Tão discretamente que tu nem percebes. Estás disposto a perder tudo, sem ter ganho nada?

Tic... Tac...

domingo, 13 de março de 2011

The Sun is There

Um dia você acorda sentindo-se diferente. Percebe, ao abrir os olhos, a forma esférica da Terra. Perde-se em pensamentos observando as listras do teto…
- Quanta gente interessante há no mundo! Cada um com sua filosofia de vida… Você fecha os olhos, arrependido por ter sido tão misantropo nos últimos tempos. Quão perdido tornara-se na sua solidão premeditada. Agora, anseia por um diálogo. Cansara-se dos intermináveis solilóquios - foram bons, claro, mas por que manter tantos bons e construtivos pensamentos no cárcere da mente? Chegou a hora de compartilha-los com o mundo.
- Vá, querida Solidão! Sua companhia foi-me demasiadamente formidável. Mas chegou a hora de alçar vôo. Chegou a hora de colher os bons frutos que sua silenciosa companhia me rendeu. Devo colhê-los e dividi-los. O mundo anda tão faminto de novas idéias! Alienaram-se todos. Tornaram-se uniformes. Mas, oh, não são! Em cada mente mal utilizada há inúmeras engrenagens prontas para funcionar - mas elas aguardam ao comando do seu chefe para serem despertas. Recruto as mentes insanas para dar o beijo do despertar nas mentes são e petrificadas. Vamos, sejamos mosquitos e perturbemos os dorminhocos, até que deixem seu estado de torpor. Façamos também o que os grande filósofos disseram: 1º - Conhece teu eu, 2º - Torna-te esse eu. Seja grande! Cresça, expanda seus pensamentos. Tua vida corre e a cada segundo morre um pouquinho. Alce vôo. O belo e breve instante da vida não dura mais do que o bater das asas de uma borboleta...

quinta-feira, 10 de março de 2011

O Futuro é bom... É sim

Já percebeu como o futuro amedronta e o passado acolhe? Deve ter algo a ver com isso: o que é novo hoje, amanhã já não mais será. Tudo passa. Até a melhor idéia acaba caindo na armadilha do esquecimento. Afinal, perceba: hoje já não se usa o que outrora fora tão popular, tão novo. Citemos exemplo: fita cassete. Quando lembra-se destas, fazemos um pouquinho de chacota. Imagina então quem ainda as utiliza! Que pré-histórico, não? E a partir daí fica fácil explicar o medo do futuro. Quem não tem medo de ser esquecido e abandonado pela sociedade, por não ter acompanhado tão rapidamente as mudanças globais? Por causa disso, nós acabamos correndo, fazendo de tudo para acompanhar essas constantes atualizações. Mas uma hora cansa. E quando essa hora chega, acabamos por nos agarrar ao passado. Fazer deste o nosso futuro, fingindo que o velho é novo. Queremos acreditar nessa ilusão. Mas, oh, não precisa disso. Cada um tem o direito de viver na época que quiser. Para que apressar? Ou adiar? Viva, apenas viva. Pense bem: se as coisas não mudassem, tudo seria terrivelmente monótono e assustador. Mas se a gente quiser avançar indefinidamente, de nada tiraremos proveito. Equilíbrio é a palavra chave. Um pouquinho a frente, um pezinho atrás... Mas sempre vivendo aqui e agora.